sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Projeto leva surfe para rede municipal de ensino em Ubatuba


FONTE..LITORAL SUSTENTAVEL
Em meio aos Jogos Olímpicos, Ubatuba recebeu com festa a notícia de que o surfe passará a integrar a lista de modalidades do evento esportivo mais importante mundialmente em 2020. Instituída em 1995 por lei como “Capital do Surfe”, a cidade do Litoral Norte que abriga mais de 100 praias e inúmeros campeonatos internacionais de surfe respira o esporte e exporta atletas de renome, como Filipe Toledo, o Filipinho, e Wiggolly Dantas, o Guigui.




Nascidos e criados em Ubatuba, os premiados atletas foram treinados na base desde os sete anos pela Escola Municipal de Surfe, presente no município há mais de 20 anos e pilar do Projeto “Surfe nas Escolas”, que levou o esporte para dentro da rede pública de ensino após a sua criação, em 2015. Hoje os jovens atletas inspiram a nova geração que tem o surfe como uma das modalidades esportivas das aulas de Educação Física da rede pública.
Foto: divulgaçãp PMU
Mas o foco da iniciativa sócio-esportiva não está apenas na formação de competidores. Para o Secretário de Esportes Saulo Caravalho Gil, um dos grandes feitos do projeto é levar o esporte para crianças e adolescentes que possivelmente não teriam acesso a ele sem o apoio do poder público. Gil informa que cerca de 70 a 80% do público atendido nunca tinham surfado na vida. O Secretário estima ainda que uma porcentagem próxima disso não tivesse acesso rotineiro à praia antes da iniciativa.
É o caso de M.V.A.L, 10 anos, morador do bairro Sesmaria. Portador de autismo de grau leve, o garoto conta que só vai à praia quando tem as aulas, porque, segundo ele, a sua mãe “está sempre ocupada”. Articulado, o garoto afirma que adora as aulas e conta que o que mais gosta no surfe é de pegar “ondas rápidas”. Embora a praia esteja geograficamente muito próxima de qualquer morador de Ubatuba, segundo o Secretário, a Rodovia Rio-Santos, que corta toda a cidade, funciona como uma espécie de barreira simbólica para os moradores do “outro lado da pista”, como M.V.A.L. “As crianças não são autorizadas a atravessar a rodovia para acessar o mar, então elas costumam ficar restritas àquele espaço”, conta.
Outro ponto positivo destacado por Luiz Guilherme de Oliveira Neto, que dá suporte aos professores do projeto, é a sociabilização das crianças, o respeito entre colegas e até mesmo o desempenho escolar. “Elas ficam mais motivadas em sala de aula”, afirma o coordenador, que informa que o número de vagas por escola é reduzido e muito disputado, sendo critério de escolha crianças com melhor rendimento escolar. “Nós não estamos necessariamente formado profissionais no esporte, isso é decorrente de um trabalho bem feito, mas nossa intenção maior é criar um cidadão, formar valores, fortalecer a importância dos estudos”, resume.
No caso de Ubatuba, acessar o surfe é mais que praticar um esporte. É ter acesso à cultura local. Isso porque a cidade respira o esporte. O comércio local é todo voltado para a atividade, há na cidade mais de 15 fabricantes de pranchas com todo o know-how que a produção do principal instrumento de prática esportiva exige, juízes de destaque nacional são moradores da cidade. É o que conta Fabio Carlos Fragoso de Lima, Coordenador do Setor de Surfe da Secretaria de Esportes e idealizador do projeto: “muitas vezes, as crianças de bairro mais longe não têm acesso, nem conhecimento dessa possibilidade e
esse projeto vem para isso, para trazê-la para esse universo e mostrar o que o surfe pode dar para ela”.
Atualmente oito escolas da rede participam do projeto, totalizando o atendimento de 268 alunos de seis a 12 anos. As aulas acontecem no contra turno escolar, nas praias da Maranduba, Perequê-açú e Grande e o transporte dos estudantes é por conta do projeto. Segundo Neto, a prática atrai de forma equilibrada meninos e meninas. Fragoso, por sua vez, afirma que a iniciativa tem potencial para atingir a rede toda: “meu sonho é chegar logo em nossas 40 escolas. Já temos a adesão de todas as diretoras”. Ele afirma ainda que “esse projeto vem para dar um horizonte maior e para fazer o surfe que ele é em Ubatuba”.

Texto: Carolina Lopes, repórter do Observatório no Litoral Norte
Edição: Bianca Pyl, equipe de Comunicação do Observatório

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