segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Título, calouro do ano e permanência na elite: brigas dos brasileiros em 2015

Gabriel Medina, Jadson André, Miguel Pupo, Filipe Toledo, Alejo Muniz, Adriano de Souza, Italo Ferreira e Wiggolly Dantas no Mundial de Surfe (Foto: Reprodução/Instagram)
Os 7 representantes do Brazilian Storm no circuito em 2015, junto com o primeiro reserva Alejo Muniz (Foto: Reprodução)

O mundial de surfe deste ano chega a seus momentos decisivos. Após oito etapas, os 36 melhores surfistas do planeta desembarcam na Europa para duas das três paradas restantes da temporada 2015. A primeira delas começa nesta terça-feira, dia 6 de outubro, em Hossegor, pequena comuna no sul da França, e vai até o dia 17. Logo na sequência, os atletas emendam na penúltima etapa do ano, em Peniche (20 a 31/10), Portugal. Aí restará somente o tradicional encerramento em Pipe Masters, em dezembro. A partir de agora, os representantes do “Brazilian Storm” definirão seus destinos nesta e para a próxima temporada do circuito mundial. Ao longo do ano, os sete surfistas brasileiros seguiram três caminhos distintos. 


Pelo andar da carruagem, parece que mais uma vez será no Havaí que o campeão mundial será definido. E três brasucas estão na disputa. Sempre entre os primeiros do ranking e com vitórias no ano, Adriano de Souza (Mineirinho) e Filipe Toledo aparecem estão firme e fortes na briga pelo título. Recentemente eles ganharam a companhia do campeão do ano passado, Gabriel Medina, que reagiu no campeonato. Estreantes na elite, Italo Ferreira e Wiggolly Dantas deixaram os demais novatos para trás e travam um duelo particular pelo título de calouro do ano. Enquanto isso, Jadson André e Miguel Pupo lutam para permanecerem entre os 22 melhores e seguirem na elite em 2016. O GloboEsporte.com traçou um panorama da campanha de cada um em 2015 e as chances deles nesta reta final de campeonato. Confira:
NA BRIGA PELO TÍTULO
Surfe Card - Adriano de Souza (Foto: Infoesporte)
Mineirinho começou a temporada 2015 avassalador. Mais determinado do que nunca a conquistar o sonhado título mundial, o experiente paulista de Guarujá foi 3º lugar em Gold Coast, vice-campeão em Bells Beach e campeão em Margaret River, adquirindo o direito de usar a camisa amarela do líder do ranking após três etapas. No Rio e em Fiji, porém, o surfista de 28 anos viu a boa sequência ser interrompida com duas eliminações no round 3. Em J-Bay, Adriano de Souza voltou a alcançar as quartas de final, porém só manteve a liderança do ranking em razão do cancelamento da final devido ao ataque de tubarão a Mick Fanning. No Taiti, outro 13º lugar fez Mineirinho ligar o sinal de alerta. A reação veio na etapa seguinte, em Trestles. Com seu surfe eficiente e competitivo, o brasileiro chegou ao vice-campeonato. Por ironia, apesar de ter chegado até a final, foi nos EUA que Adriano acabou perdendo a liderança do ranking para Fanning, que faturou a etapa. Agora Mineiro precisará marcar o tricampeão nas três provas restantes para conquistar a inédita taça.
Adriano de Souza Mineiro campeão Margaret surfe (Foto: Divulgação/WSL)Adriano de Souza venceu a etapa de Margaret River (Foto: Divulgação/WSL)

Surfe Card - Filipe Toledo (Foto: Infoesporte)
Apenas dois surfistas possuem duas conquistas em 2015: Mick Fanning e Filipe Toledo. Com seu surfe progressivo recheado de manobras aéreas, Filipinho começou o ano alcançando seu primeiro título na elite, em Gold Coast. Depois de um 5º lugar em Bells Beach e uma eliminação precoce na repescagem em Margaret, o caçula do circuito mundial com 20 anos repetiu a dose com uma alucinante conquista diante da multidão que lotou as praias do Rio de Janeiro, em maio. Especialista em aéreos, Toledo não apresenta o mesmo rendimento em ondas tubulares. Com isso, acabou eliminado no 3º round em Fiji e no 5º round no Taiti. Nesse meio tempo, o paulista de Ubatuba também foi para casa mais cedo em J-Bay (13º). Por falar em casa, foi em Trestles, Califórnia, onde mora atualmente, que Filipinho voltou a brilhar, alcançando as semifinais e retomando o terceiro lugar no ranking. Agora ele precisa aproveitar principalmente, Hossegor e Peniche, que favorecem seu estilo de surfe, para tentar uma arrancada rumo ao título.
Filipe Toledo campeão do Rio Pro quarta etapa do Circuito Mundial de Surfe ni Rio de Janeiro (Foto: WSL / Kelly Cestari)Filipe Toledo faturou as etapas do Rio de Janeiro e de Gold Coast em 2015 (Foto: WSL / Kelly Cestari)

Surfe Card - Gabriel Medina (Foto: Infoesporte)
Depois da façanha de se tornar o primeiro brasileiro campeão mundial de surfe em 2014, Gabriel Medina não começou bem a temporada em que busca o bicampeonato. Eliminado após uma polêmica interferência em Gold Coast, o fenômeno de Maresias reagiu ao chegar às quartas de final em Bells Beach. No entanto, emplacou uma sequência de três resultados negativos em Margaret River (25º), Rio de Janeiro (13º) e Fiji (13º) e chegou a ficar em 20º no ranking, tendo a vaga na elite ameaçada. Com poucas chances de título, o jovem de 22 anos tirou a pressão dos ombros, reencontrou o surfe que o fez campeão e iniciou a reação com um 5º lugar em J-Bay. A boa fase foi confirmada com o vice-campeoanto no Taiti e o 3º lugar em Trestles, ambas etapas com grandes atuações. A arrancada alçou Medina ao 7º lugar no ranking e o manteve com chances de título, mesmo que escassas. Restando três etapas, porém, o surfista precisará de vitórias se ainda quiser sonhar com o bicampeonato. 
Gabriel Medina comemora nota 10 durante etapa do Taiti (Foto: Divulgação / WSL)Gabriel Medina comemora nota 10 durante etapa do Taiti (Foto: Divulgação / WSL)

PRINCIPAIS RIVAIS

Mineirinho, Toledo e Medina não terão vida fácil na missão de manter o título com o Brasil. Eles terão pela frente a forte concorrência de dois multicampeões e jovens revelações do surfe mundial. O grande favorito ao título é o tricampeão Mick Fanning. Com duas taças no ano (Bells e Tresltes), o tricampeão superou o susto com o ataque de tubarão em J-Bay e assumiu a liderança do ranking a três etapas do fim. Com bons retrospectos na França e Portugal, o australiano pode encaminhar o título na perna europeia. Em 4º e 5º aparecem dois grandes destaques da temporada. Especialista em tubos e vencedor em Fiji, Owen Wright está em uma das melhores fases da carreira. Logo atrás dele vem Julian Wilson, um dos surfistas mais completos do circuito. Em sexto, correndo por fora, um “tal” Kelly Slater. Mesmo desanimado e há quase dois anos sem vencer uma etapa, o onze vezes campeão aparece em sexto e a história diz que é melhor não menosprezá-lo.
Mick Fanning assumiu a liderança do ranking após vitória em Trestles (Foto: WSL)Mick Fanning assumiu a liderança do ranking após vitória em Trestles (Foto: WSL)

DUELO PARA SER O CALOURO DO ANO
Surfe Card - Italo Ferreira (Foto: Infoesporte)
Há um ano, o jovem Italo Ferreira mal imaginava que estaria competindo na elite do surfe mundial. Muito menos que estaria no top 10 entre os melhores surfistas da atualidade. Após bons resultados em etapas-chave do WQS em 2014, o talentoso potiguar de Baía Formosa conseguiu uma surpreendente vaga no CT neste ano. E de etapa em etapa, foi derrubando gigantes e calando os críticos que mundo afora previam uma temporada de estreia discreta. Logo em sua primeira aparição na elite, derrubou ninguém menos que o 11 vezes campeão mundial Kelly Slater em Gold Coast, avançando até a quarta fase. Depois de quedas precoces em Bells e Margaret, voltou a brilhar no Rio de Janeiro onde eliminou a sensação John John Florence e foi até a semifinal. Na sequência, não se intimidou com as pesadas ondas de Fiji, desbancou novamente Slater e chegou até as quartas. Após um 13º lugar em J-Bay, voltou às quartas em Fiji com direito a “goleada” em Filipinho. Em Trestles, terminou em 9º, mantendo-se no top 10 do ranking. A três etapas do fim, ainda tem chances matemáticas de título. Porém, outra conquista está mais palpável: trava um duelo particular com o compatriota Wiggolly Dantas pelo título de “Rookie of the Year”, melhor estreante do ano. Os demais rivais da dupla brasileira estão muito, muito distantes.
Ítalo Ferreira - surfe - WSL - Fiji (Foto: Kirstin Scholtz/WSL)Ítalo Ferreira pega tubo profundo em Fiji (Foto: Kirstin Scholtz/WSL)

Surfe Card - Wiggolly Dantas (Foto: Infoesporte)

Após bater na trave várias vezes na busca por uma vaga na elite, Wiggolly Dantas por pouco não desistiu de disputar o WQS em 2014. Depois de ser convencido a continuar pela família, Guigui contou com conselhos de Slater no ano passado e, enfim, alcançou a sonhada vaga na elite. Reconhecido no meio do surfe pela habilidade em ondas pesadas, o paulista de 25 anos vem fazendo uma ótima temporada de estreia. Começou o ano com o pé direito em Gold Coast, derrubando o campeão mundial Joel Parkinson, e chegando até as quartas de final. Em seguida, amargou três quedas precoces em Bells, Margaret e Rio chegando a figurar em 22º no ranking, quebrando a expectativa daqueles que apostavam em bons resultados logo de cara. Tais resultados demoraram um pouco, mas vieram. Em uma bela sequência, o surfista de Ubatuba aproveitou as etapas com ondas tubulares para emplacar um 5º lugar em Fiji e um 9º no Taiti. Com outra 9ª colocação em J-Bay e outro 5º lugar em Trestles, o brasileiro escalou o ranking até a 12ª colocação. A arrancada o colocou de volta na disputa de calouro do ano com o também estreante brasileiro Italo Ferreira.
Wiggolly Dantas Trestles surfe round 2 (Foto: Reprodução/WSL)Wiggolly Dantas em ação em Trestles (Foto: Reprodução/WSL)


PRINCIPAIS RIVAIS

Dos dez surfistas que subiram do WQS em 2014, cinco deles são estreantes na elite. E os dois brasileiros estão sobrando na turma. Enquanto Italo e Wiggolly aparecem entre os 12 melhores da temporada, os demais apenas brigam para ficar entres 22 que permanecem na elite no ano que vem. O havaiano Keanu Asing é o 24º, o australiano Matt Banting o 30º, e o neozelandês Ricardo Christie apenas o 32º.
LUTA PARA SEGUIR NA ELITE
Surfe Card - Jadson André (Foto: Infoesporte)
Dos sete brasileiros no Mundial de Surfe na atualidade, Jadson é o segundo há mais tempo no tour (2010) e um dos três com vitórias em etapas, ao lado de Gabriel Medina e Mineirinho. Porém, recorrentemente o potiguar de 25 anos, vive o drama da luta pela permanência na elite. Em 2011 e 2014 ele levou a melhor, enquanto 2012 caiu e precisou retornar pelo WQS no ano seguinte. Nesta temporada, o potiguar de Natal aparece na 20ª posição. Eliminado precocemente na repescagem em Gold Coast, Jadson chegou em 9º em Bells, mas caiu na 3ª fase no encerramento da perna australiana em Margaret. No Rio de Janeiro, recuperou-se com seu melhor resultado do ano. Chegou até as quartas, mas foi batido pelo amigo e pupilo Italo Ferreira. O conterrâneo, aliás, virou carrasco no ano. Nas três baterias “head to head” que disputaram no ano, Italo levou a melhor em todas, eliminado Jadson também em Fiji e no Tait, ambos no round 3. Com duas quedas na repescagem em J-Bay e Trestles, o irreverente potiguar está há quatro etapas sem conseguir passar da terceira fase e precisa reagir nas etapas finais para permanecer entre os melhores surfistas do mundo.
Jadson André Rio Pro (Foto: André Durão)Jadson André em ação na etapa do Rio de Janeiro (Foto: André Durão)


Surfe Card - Miguel Pupo (Foto: Infoesporte)
Dono de um surfe clássico, Miguel Pupo começou o ano a todo vapor: chegou até as semifinais em Gold Coast, conquistando seu melhor resultado na elite até o momento. Mas a boa fase durou pouco. Esbarrou em uma queda precoce na repescagem da segunda fase em Bells Beach. O paulista de 23 anos ensaiou uma reação em Margaret Rivers, mas não passou do round 3. Na sequência, foram quatro etapas seguidas sem nenhuma vitória, amargando o 25º lugar consecutivamente no Rio de Janeiro, em Fiji, em J-Bay e no Taiti. Com a série de maus resultados, Pupo despencou para a 26ª posição no ranking. Após ligar o sinal de alerta, o paulista de Itanhaém deu sinais de reação em Trestles: foi até o round 5, onde caiu para o campeão mundial Joel Parkinson, surfista com estilo parecido com o dele. Em 21º no ranking, Pupo está a uma posição da linha de corte do CT e precisa mostrar, a partir de Hossegor, que a reação é mesmo contínua para seguir na elite.
Miguel Pupo enfrenta Wiggolly Dantas nas quartas de final em Gold Coast (Foto: Luciana Lacerda)Miguel Pupo levanta água em etapa de Gold Coast, onde obteve melhor resultado no ano (Foto: Luciana Lacerda)


PRINCIPAIS RIVAIS

A briga para permanecer na elite em 2016 será quente até o fim do ano e qualquer bom resultado fará a diferença. Dentre os ameaçados, destaca-se o badalado John John Florence, em 18º. Sem ter participado de duas etapas, porém, o promissor havaiano tem boas chances de ficar com um dos dois convites para lesionados, caso não fique entre os 22. Michel Bourez (25º) e Jordy Smith (25º) são outros surfistas renomados que também se machucaram no ano e estão entre a busca por uma vaga direta ou a esperança de um convite da organização. Há também surfistas com péssimas campanhas que dificilmente conseguirão a vaga pelo CT, como Brett Simpson (35º), Dusty Payne (34º), Glenn Hall (30º) e Kolohe Andino (29º). Ao menos, há dois a menos na briga: o campeão mundial de 2001 CJ Hobgood (28º) pendura a prancha no fim do ano, e Freddy Patacchia Jr. (27º) se aposentou durante a última etapa.
CONFIRA AS BATERIAS NA FRANÇA
1: Kelly Slater (EUA), Jadson André (BRA), Brett Simpson (EUA) 
2: Julian Wilson (AUS), Miguel Pupo (BRA), Aritz Aranburu (ESP) 
3: Owen Wright (AUS), Sebastian Zietz (HAV), Dane Reynolds (EUA)
4: Filipe Toledo (BRA), Adam Melling (AUS), Tomas Hermes (BRA)
5: Adriano de Souza (BRA), Keanu Asing (HAV), Caio Ibelli (BRA)
6: Mick Fanning (AUS), Michel Bourez (TAH), Maxime Huscenot (FRA)
7: Gabriel Medina (BRA), Matt Wilkinson (AUS), Dusty Payne (HAV) 
8: Jeremy Flores (FRA), John John Florence (HAV), Alejo Muniz (BRA)
9: Italo Ferreira (BRA), Adrian Buchan (AUS), Ricardo Christie (NZL)
10: Nat Young (EUA), Bede Durbidge (AUS), Glenn Hall (IRL) 
11: Josh Kerr (AUS), Kai Otton (AUS), Kolohe Andino (EUA) 
12: Wiggolly Dantas (BRA), Joel Parkinson (AUS), C. J. Hobgood (EUA) 

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