sexta-feira, 8 de maio de 2015

Caçula do "Furacão Brasileiro", Toledo luta no Rio para retomar ponta da WSL

Terceiro no ranking da Liga Mundial, paulista diz que "Brazilian Storm" virou furacão: "Está na hora de o Brasil receber o respeito que buscou em gerações passadas"


Campeão da etapa de abertura do Circuito Mundial 2015, na Gold Coast australiana, Filipe Toledo foi o primeiro líder do ranking neste ano. O paulista tem impressionado o mundo com um estilo radical e ousado, com aéreos poderosos e manobras de alto nível. Criado à base de arroz, feijão e água salgada nas ondas de Ubatuba, litoral paulista, o filho de Ricardo Toledo, bicampeão brasileiro (1991 e 1995), sempre fez da água o seu habitat natural e subiu na prancha pela primeira vez aos dez meses de vida.
Hoje, aos 19 anos, é o caçula da elite mundial e sério candidato ao título da WSL. Uma das forças que traduzem o bom momento do país no esporte, ele acredita que o "Brazilian Storm" ("Tempestade Brasileira"), apelido dado à "geração de ouro" do surfe nacional, já se transformou em um furacão. Sua próxima missão será recuperar a liderança no Rio Pro, etapa brasileira, no Rio de Janeiro, de 11 a 22 de maio. Filipinho estreia na 10ª bateria da primeira fase contra o americano Kolohe Andino e o australiano Matt Banting. 
Filipe Toledo campeão da etapa de Gold Coast surfe (Foto: Luciana Pinciara/Motion Photos)Filipinho sendo carregado por multidão de brasileiros na Gold Coast australiana (Foto: Luciana Pinciara/Motion Photos)
- Nossos atletas estão muito bem preparados. Mas o surfe de competição é meio ingrato às vezes. Tenho muita vontade de vencer no Brasil, agora, isso só saberemos no último dia - contou o surfista, que relembrou as palavras do pai após a sua primeira vitória na elite:
- Outro dia, na Gold Coast, o meu pai falou: "Isso está se tornando um furacão". Está na hora de o Brasil receber o respeito que tanto buscou com as gerações passadas. Eles são responsáveis por isso - contou o surfista, que terminou a temporada passada na liderança da Divisão de Acesso (QS) e em 17º na elite (CT).  
 Os brasileiros colecionaram excelentes resultados nas três etapas da perna australiana, provando que o Brasil é uma das maiores potências do surfe mundial, ao lado de Austrália, Havaí e Estados Unidos. Na última etapa, em Margaret River, o campeão foi Adriano de Souza, o Mineirinho, que havia sido vice na anterior, em Bells Beach, resultados que lhe garantiram o topo do ranking mundial. 
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- O caminho é surfar com a alegria e comprometimento o tempo todo. Não tem cara fácil de vencer - analisou Filipinho, que fez um balanço positivo de sua terceira temporada na elite:
- A temporada está sendo muito satisfatória. Treinei forte no início de ano, e os resultados começaram a aparecer. Sempre precisamos abrir mão de algumas coisas para ser um atleta de ponta, mas faz parte. Tenho prazer no que faço, então, não vejo como perda, pelo contrário, apenas tenho ganhado com isso. Ficar longe de quem se gosta é um pouco difícil, mas já me acostumei.
Após o título na Gold Coast e um quinto lugar em Bells Beach, Toledo amargou uma eliminação precoce em Margaret River, se despedindo em 25º lugar. Na quarta etapa do Mundial, no Rio, o paulista de Ubatuba espera melhorar os resultados dos últimos anos: 13º (2014) e 25º (2013). O tipo de onda, que quebra sobre um banco de areia no Postinho, palco principal do evento, pode ser facilmente transformado em seu playground, com rampas de decolagem para mostrar a habilidade para decolar em aéreos e impressionar os juízes. Na reta final de sua preparação, teve um treino de luxo no lugar que hoje é a sua casa, San Clemente, na Califórnia, com direito a título do QS 10.000 em Lowers Trestles.
Filipe Toledo ergue a bandeira do Brasil depois de vencer etapa do Circuito Mundial de surfe em Gold Coast na Austrália  (Foto: WSL / Kirstin Scholtz)Filipe Toledo ergue a bandeira do Brasil depois de vencer na Austrália (Foto: WSL / Kirstin Scholtz)
- No Rio, eu espero melhorar minha atuação de outros anos. É uma onda que estamos mais acostumados, mas isto não quer dizer que vamos ganhar. Todos têm chances iguais, mas vamos lutar muito para deixar este título em casa - contou o jovem, que mudou-se no ano passado de Ubatuba para os Estados Unidos, ao lado dos pais, dos irmãos e do cachorro.
Para alcançar as vitórias, ele usará como estratégia a técnica do assobio. É assim que ele se comunica com o seu pai e treinador, que acompanha tudo da areia. Ricardo Toledo está sempre nas viagens com o filho pelo mundo, um porto seguro dentro de um esporte solitário como o surfe. 
- Isso vem desde muito cedo. Meu pai e nós, meus irmãos também, sempre sabemos quando ele nos chama, desde pequenos... Então, dentro da água não foi diferente. Começamos a desenvolver uma comunicação por assobios onde ele consegue me avisar sobre onde se posicionar, quando vem a série,etc. Isso tem me ajudado muito ao longo de minha carreira. É sempre muito bom, e tenho mais confiança por ter meu pai/técnico por perto - finalizou Filipinho. 
confira as baterias da 1ª fase do rio pro
1. Taj Burrow (AUS) x Jeremy Flores (FRA) x Brett Simpson (EUA)
2. Kelly Slater (EUA) x Adrian Buchan (AUS) x Ricardo Christie (NZL)
3. John John Florence (HAV) x Wiggolly Dantas (BRA) x CJ Hobgood (EUA)
4. Gabriel Medina(BRA) x Freddy Patacchia Jr. (HAV) x Alejo Muniz (BRA)
5. Mick Fanning (AUS) x Ítalo Ferreira (BRA) x Convidado
6. Adriano de Souza (BRA) x Kai Otton (AUS) x Convidado
7. Josh Kerr (AUS) x Jadson André (BRA) x Dusty Payne (HAV)
8. Jordy Smith (AFS) x Sebastian Zietz (HAV) x Keanu Asing (HAV)
9. Nat Young (EUA) x Bede Durbidge (AUS) x Glenn Hall (IRL)
10. Filipe Toledo (BRA) x Kolohe Andino (EUA) x Adam Melling (AUS)
11. Julian Wilson (AUS) x Miguel Pupo (BRA) x Matt Banting (AUS)
12. Joel Parkinson (AUS) x Owen Wright (AUS) x Matt Wilkinson (AUS)


http://globoesporte.globo.com/radicais/surfe/mundial-de-surfe/noticia/2015/05/cacula-do-furacao-brasileiro-toledo-luta-no-rio-para-retomar-ponta-da-wsl.html 

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